Amor, união, trabalho e sucesso: histórias de mães e filhas empreendedoras – parte 2

Chego ao salão no início do turno da manhã, no horário marcado Sou recebida com beijos, abraço e sorrisos por Viviane. Aos poucos, mãe e filhas vão chegando. Quando estão todas prontas, sou convidada a me dirigir junto com elas para a sala das noivas, pois lá teremos mais privacidade. Entramos todas na sala e nos sentamos. Quando olho, percebo uma sala cheia: mãe e quatro filhas, todas empreendedoras. Por um momento deixo a emoção me tomar, uma cena dessas é bastante rara, principalmente nos dias corridos em que vivemos. Rapidamente retomo o prumo, pois o trabalho espera a todas. Era hora de ouvir uma das mais lindas histórias de empreendedorismo que já conheci.

Ao trabalho!

Maria Helena Silva tem 75 anos e é uma das maiores cabeleireiras de Pelotas. No final da década de 1960, quando já tinha quatro de seus seis filhos (Gênova, Giane, Gengiscan, Gianelle, Viviane e Guilherme), ela queria aumentar a renda familiar. Como tinha habilidade no trato com os cabelos, em 1968, com a ajuda de amigos, abriu seu primeiro salão e começou a trabalhar.

À medida que os filhos foram crescendo, Maria Helena notou primeiramente em sua filha mais velha, Gênova, o mesmo dom para lidar com a beleza feminina. A filha, porém, seguiu o próprio caminho: fez faculdade, casou, teve filhos. Ela foi bancária, mas, como acompanhou a mãe desde criança, tinha total intimidade com o ofício de cabeleireira, por isso foi gradativamente assumindo funções no salão e também se profissionalizando através de cursos. Depois de algum tempo, resolveu abrir o próprio salão e, mais adiante, os salões se uniram e ambas trabalham juntas até hoje.

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Gianelle, Viviane, Giane, Maria Helena e Gênova

Depois de Gênova, foi a vez de Giane, Gianelle e Viviane também trabalharem no salão, que passou a chamar-se Maria Helena e Gênova Cabeleireiras. Gênova dá continuidade ao trabalho da mãe liderando a equipe de cabeleireiras, manicures, coloristas e escovistas. Ela sempre se interessou pela administração do salão, além da parte prática. Os cursos de aperfeiçoamento, bem como a participação em eventos e concursos estaduais e nacionais, contribuíram para a remodelação do negócio. Gênova também fez parte da Associação dos Cabeleireiros de Pelotas (ACAPel), quando passou a se envolver com profissionalização. Atualmente, ela ministra cursos em diversas cidades do estado.

Giane trabalhou por oito anos como bancária. Também trabalhou no salão como manicure. Nessa época, produzia arranjos florais e vendia para as clientes, bem como fazia pequenas produções para festas. Aos poucos, ela foi descobrindo uma nova habilidade, o que a levou a abrir uma floricultura, negócio que manteve por dez anos. O passo seguinte foi se especializar em decoração de festas, ramo em que atua há dezenove anos. Há aproximadamente sete anos, Giane convidou outros profissionais da área de eventos para fazerem parte de um espaço compartilhado. Lá, o cliente encontra todos os profissionais necessários para a realização de um evento.

Gianelle também trabalhava como bancária até que, durante a licença maternidade, começou a trabalhar como manicure no salão. Essa experiência levou-a a pedir demissão para passar a trabalhar com a mãe e irmã. Ela gosta muito da interação com as clientes, pois elas vão se tornando amiga, e também gosta de ver as mulheres vibrando ao se enfeitarem. Gianelle trabalha no salão há 27 anos, e lá também vende joias e roupas. “Me sinto os olhos e ouvidos de Maria Helena e Gênova, pois sou a responsável pelo salão quando elas não estão presentes”, afirma.

Viviane sempre foi muito vaidosa. Quando criança, era enfeitada pelas irmãs. Começou a trabalhar com elas aos 25 anos, como auxiliar de cabeleireira, fazendo escova, química e tratamentos capilares. Por um ano e meio fez cursos e trabalhou em São Paulo (no salão Studio W, um dos maiores daquela cidade) e, quando voltou para Pelotas, trabalhou mais 10 anos no salão. Em paralelo, Viviane trabalha em sua grande paixão, a mais de 20 anos que é a organização de eventos. Há um ano, em sociedade com o marido, inaugurou uma loja da franquia Óticas Carol. Mesmo dedicando-se à ótica, Ela continua trabalhando e se dedicando aos eventos.

O gosto pelo empreendedorismo está mesmo no sangue das mulheres da família. Prova disso é o fato de que a terceira geração já está empreendendo. Elena Streliaev, de 24 anos, filha de Viviane, trabalha como maquiadora. Em relação à maquiagem, Elena começou como uma autodidata, pois gostava muito de estar bem maquiada.Em dado momento, quando Elena tinha 19 anos, devido a uma situação de emergência, o salão precisava de uma maquiadora. Elena se prontificou a ajudar. Hoje muitas clientes fazem questão de serem atendidas por ela.

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Maria Helena e sua neta Elena

O legado de Maria Helena para as filhas certamente é o amor ao trabalho, que se traduz em comprometimento, pró-atividade e responsabilidade perante as clientes. Segundo Maria Helena, “com amor e prazer no que se faz, o negócio tem muito mais chances de dar certo. É preciso gostar e investir”. Viviane afirma que tudo o que ela aprendeu no salão com a mãe e as irmãs se reflete em seu trabalho como organizadora de eventos e também na ótica. Ela destaca que sua mãe sempre foi uma pessoa bem disposta, pois, apesar de eventualmente estar com algum problema ou mesmo doente, ela está sempre arrumada e bem humorada, sempre preocupada em dar o seu melhor às clientes, e isso é um grande exemplo. Sobre a mãe, ela Já Giane, fazendo uma retrospectiva de vida, pondera:

“O amor pelo trabalho nos leva a lembrar de situações muito antigas, mas também muito importantes para nós todas; Lembro que nossa mãe vendeu a geladeira para comprar a cadeira para o salão e outros materiais necessários para começar a trabalhar. Lembro também que, quando pequenas, eu e Gênova já ajudávamos: subíamos em um banquinho para termos altura suficiente para colocar rolinhos nos cabelos das clientes… aquilo acabava sendo uma divertida brincadeira. Hoje, nossa família é referência de união e isso é uma grande responsabilidade.”

Ao final do encontro, saio de lá encantada com tudo o que ouvi e inspirada por aquela linda família de mulheres tão fortes e unidas. Espero ter conseguido minimamente traduzir o que vivi com elas nesse texto. Fica aqui o agradecimento a elas pelo tempo dedicado a contar essa história, assim como nossa homenagem toda elas como mulheres inspiradoras e mães que são.

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Amor, união, trabalho e sucesso: histórias de mães e filhas empreendedoras – parte 1

Nara Palma da Silva foi bancária por dezoito anos. Em 2000, quando suas filhas Priscila e Bruna tinham quatorze e dez anos, respectivamente, Nara estava em busca de uma atividade mais prazerosa, que lhe permitisse ter mais tempo com a família e que também proporcionasse alegria às pessoas. Por algum tempo, questionou-se em relação a qual segmento de mercado havia carência em Pelotas. Ela queria construir algo que ajudasse a elevar a autoestima feminina.

Naquela época, um supermercado da cidade estava construindo um espaço interno destinado a pequenas lojas. Ao saber dessa oportunidade, ela sentiu-se muito motivada e resolveu mudar de carreira, pedindo demissão. Foi então que surgiu a Authentical, uma rede de lojas de acessórios femininos que atualmente possui três unidades físicas e uma loja virtual. A inauguração da primeira unidade foi um sucesso. Nara tem muito viva na memória a lembrança das reações positivas das pessoas ao entrarem no supermercado e verem a loja. “A ideia inovadora foi muito bem recebida pelo público, tanto que vendemos quase todo o estoque já no primeiro dia”, lembra.

As filhas, desde pequenas, acompanhavam o trabalho da mãe e por vezes sentiam falta de sua presença, pois o banco tomava muito tempo, o que fazia Nara sentir-se culpada. Como em casa tudo sempre foi compartilhado, as filhas receberam a ideia da loja de maneira extremamente positiva, porque o negócio permitiria que a mãe fosse mais presente. O movimento natural a partir daí foi o de que as meninas passassem gradualmente a companhar a mãe em suas atividades.

“Essa foi a grande lição de empreendedorismo que nossa mãe nos deu: de que com trabalho tudo é possível, de que podemos buscar qualidade de vida através do nosso trabalho,“ afirma Bruna, que formou-se em Administração de Empresas com ênfase em Marketing, além de ter cursado MBA em gestão empresarial e vários outros cursos voltados para o mercado online. Segundo ela, o convívio com a empresa começou no escritório, contribuindo com sugestões no momento das compras, e com isso trazendo um novo perfil de público para o negócio.

Atualmente, mãe e filhas trabalham juntas, adotando um modelo de gestão baseado na divisão de tarefas: Bruna cuida do Marketing, Nara cuida do setor financeiro, enquanto Priscila (que é nutricionista e divide seu tempo de trabalho entre o consultório e a empresa) é responsável pelo RH. Segundo Nara, o sucesso de uma empresa familiar depende de alguns aspectos chave: além da divisão de atribuições, é preciso muita conversa, sinceridade e respeito. “O segredo é não parar de evoluir nunca, é entender que o aprendizado é uma busca incansável, pois uma empresa nunca está pronta. É preciso estar sempre ajustando, planejando e inovando. E quando se gosta do que se faz, o trabalho nunca cansa.”

Em 2006, foi inaugurada a loja situada na Galeria Malcon; em 2013, a loja situada no Shopping Pelotas e em 2012, a loja virtual, tendo esta exigido da família grandes esforços para inserção nessa nova modalidade de negócios. O planejamento da loja virtual foi objeto do trabalho de conclusão de curso de Bruna. Hoje, vendem para todo o Brasil. Pensando em suas trajetórias, elas avaliam que o início foi difícil, pois ainda não havia referências a seguir, e que aprenderam com os erros, o que as levou a estudar muito para manterem-se atualizadas em um mercado em constante mudança.

Antes da criação da loja virtual, Bruna trabalhou por quatro anos no atendimento. O objetivo era compreender profundamente o funcionamento com base em seu pilar mais importante: o cliente.

“A Authentical participa de momento importantes da vida do cliente, como casamentos e formatura por exemplo. Por isso o atendimento é fundamental. Nós sempre primamos pelo atendimento com acolhimento e amor, de modo que a pessoa sempre saia da loja mais feliz do que entrou”, afirma Nara.

Como mãe, Nara se orgulha ao ver o quanto as filhas são guerreiras, o quanto são persistentes e vão em busca de conhecimento. Sobre a mãe, as filhas têm uma opinião comum: “Somos como ela. Não nos lamentamos, encontramos soluções. A mãe quis mudar para ter qualidade de vida, ela nos deu esse exemplo, e hoje nós temos uma postura bem positiva diante da vida e dos desafios”.

Mulheres empreendedoras reúnem-se em café da manhã no Café Aquários

O Café Aquários está entre os estabelecimentos mais tradicionais de Pelotas. Com 46 anos de atividades (contando apenas o atual nome), é considerado um ponto turístico da cidade. Além disso, é um lugar marcado fortemente pela presença masculina, tanto que é grande o número de mulheres que afirma nunca ter ido ao local, ou o fez acompanhada por um homem (pai, marido, namorado, amigo, etc.).

Pois este foi o cenário escolhido pelo blog Mulheres Empreendedoras do Sul para a realização do 3º Encontro DIVERSAS: Mulheres conquistando todos os espaços. Lá, empresárias, gestoras, fotógrafas, psicólogas, vendedoras, doceiras, jornalistas reuniram-se no dia 19 de novembro para um café da manhã somente para mulheres.

Na sua terceira edição, este encontro foi um pouco diferente dos anteriores, nos quais foram realizadas rodadas e negócios e palestras. Desta vez, as participantes tomaram o café da manhã juntas e puderam conversar, sem que houvesse um roteiro pré-estabelecido.

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Em dado momento, a equipe do blog pediu a atenção de todas, para que pudessem dizer algumas palavras. Inicialmente, Beth Kickhöfel agradeceu a presença de todas e falou da alegria em receber as participantes para esse momento tão especial, quando comemoramos o aniversário do blog. Em seguida, Renata Louzada explicou que a ideia de organizar um café da manhã em um lugar considerado um reduto masculino tinha a intenção de inspirar as mulheres para que, a cada dia, refletissem sobre qual lugar pretendem conquistar na sociedade e no mundo. Ela também convidou a participante Delania Afonso para dar um depoimento, já que a mesma havia participado de todos os eventos promovidos até então.

Em sua fala, Delania lembrou que, durante sua trajetória profissional, conquistou espaços e cargos que não eram comumente ocupados por mulheres. Recordando-se do que viveu, percebe a necessidade e a importância de a mulher empreendedora ter mais visibilidade e apoio para novos projetos.

Na sequência, Érica Martins falou sobre os planos que a equipe tem para 2017, apresentando brevemente ações futuras como rodadas de negócios, palestras, workshops, etc., enfatizando a necessidade de as mulheres se tornarem reciprocamente solidárias. Por fim, Liliane Rodrigues fez algumas reflexões com base em dados de pesquisa, com o propósito de justificar as ações que vêm sendo realizadas pela equipe.

De acordo com pesquisas sobre a diferença de gênero no mercado de trabalho, em 1980, a diferença salarial entre homens e mulheres era de aproximadamente 46%. Trinta anos depois, em 2010, esse índice havia caído para aproximadamente 29%. Já no cenário político, projeções feitas com base na evolução recente da participação da mulher na política levam à estimativa de que somente em 2083 as mulheres atingirão, no Senado, o mesmo percentual de distribuição de gênero na população (51%). Em outras palavras, estamos a quase 70 anos de “distância” dessa realidade. Isso mostra que, se muito já foi conquistado, há ainda muito por fazer.

“O que estamos fazendo hoje não é algo imediatista, não algo é importante somente para nós e nossas carreiras. O que estamos fazendo é para nossas filhas, para nossas netas, pelas gerações de mulheres que ainda não nasceram. Nosso trabalho faz parte de uma dinâmica maior que, esperamos, vai muito além, beneficiando outras tantas mulheres”.

Leia mais sobre desigualdade de gênero no mercado de trabalho em http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150715_desigualdade_salarios_genero_cc

A equipe do blog mais uma vez agradece a participação não só das mulheres que estiveram conosco no café, mas também aos mais de 540 membros de nosso grupo fechado (que inclui alguns homens), e às mais de 1700 pessoas que curtiram nossa página no Facebook, além daqueles que nos seguem em nossas demais mídias sociais.

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O saldo deste primeiro ano de trabalho é extremamente positivo: muitas mulheres fascinantes, muitas histórias inspiradoras, muitos contatos, muita sororidade sendo posta em prática. Porém, nosso trabalho está apenas começando. Há ainda muito por fazer!

Vamos juntas porque JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!

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O toque feminino no “prefácio” da Feira do Livro

A Feira do Livro de Pelotas é um dos eventos culturais mais importantes da cidade. Realizado anualmente o evento chega a 44ª edição, sempre com intuito de mobilizar a população da cidade no entorno da Praça Coronel Pedro Osório e proporcionar a pessoas de diferentes idades e classes sociais um maior contato com o livro, novas vivências de leitura, além de atividades culturais diversas.

Por quase um mês, o coração da cidade mergulha nas letras e respira com muita interação artística: seja nas 17 bancas dos livreiros, nas tendas cultural e de autógrafos ou no palco dos shows e na praça de alimentação. Uma estrutura que exige muita determinação e conhecimento de grandes eventos por parte da organização.

POR TRÁS DOS LIVROS, O COMANDO FEMININO

Com um sorriso sutil, um diálogo simpático e percepção apurada para produções culturais, a organizadora de eventos, Théia Bender, leva para a Praça a sexta Feira do Livro sob sua coordenação. Seis anos de planejamento, de novidades e soluções para um momento literário que reúne arte e negócios.

Théia Bender é uma profissional experiente. Sua trajetória passa por importantes experimentos e participações como trabalhos com turismo de eventos – especialmente vinculado à Feira Nacional do Doce – FENADOCE- e com a organização de grandes feiras de imóveis. No entanto, a “Feira do Livro é do meu coração”, considera.

Em 2010, Théia foi convidada pela equipe da produção cultural da Feira para ficar responsável pelo gerenciamento das instalações e de todas as questões ligadas à infraestrutura. No ano seguinte, os livreiros a procuraram para que assumisse a organização do evento. Desde então, ela é responsável por tudo o que acontece antes do início da feira (projeto arquitetônico, elétrico e hidráulico, solicitação de alvarás, montagem dos espaços) além de todos os aspectos que envolvem manutenção da infraestrutura e segurança das bancas e dos livreiros. Para isso, coordena equipes e contrata prestadores de serviços. “Um evento de rua está sujeito a intempéries e a ações de vandalismo. É preciso estar sempre atento. É um trabalho que exige dedicação integral, por isso vivo intensamente a Feira”.

Théia salienta a importância de todos os esforços movidos pela Câmara Pelotense do Livro para a realização do evento. Ainda que a Feira seja alvo de algumas críticas, a organizadora afirma que o evento cumpre seu papel, que é o de trazer o livro para a rua, possibilitando, muitas vezes, o primeiro contato com a leitura. “Na Feira, o livro está extremamente exposto, ele atrai, ele pode conquistar as pessoas. O objetivo é promover a aproximação do livro com o leitor e o não-leitor. Os livreiros identificam isso constantemente, o que é muito  gratificante”.

Sobre o trabalho em equipe, ela destaca a participação da mulher. “Sempre que possível, busco constituir uma equipe feminina para o trabalho na Feira, pois as mulheres em geral têm um perfil de muita dedicação ao trabalho, além de serem muito minuciosas e colaborativas”.

A Feira oferece, ainda, uma praça de alimentação com opções variadas a Tenda Cultural, um espaço para escolas, instituições e ONGs que queiram fazer apresentações de dança, música ou teatro. Além disso, a Feira conta com extensa programação de palestras e oficinas, realizadas em parceria com a Secult, a Bibliotheca Pública e a UFPel.

Sobre experiências marcantes durante a Feira, Théia lembra inúmeros casos de mães e pais que trazem suas crianças, preocupados em mostrar a eles o mundo da literatura e em incentivar o gosto pela leitura. Lembra também de crianças de famílias de baixa renda que, em excursões escolares, trazem algum dinheiro enroladinho nas mãos e, ao saber que vão conseguir comprar um livro, demonstram muita felicidade. “

A Feira do Livro de Pelotas é a segunda mais antiga do estado, existe desde 1960 e é uma iniciativa da Câmara Pelotense do Livro (http://trade.nosis.com/pt/CAMARA-PELOTENSE-DO-LIVRO/3887016/315/p#.WC33mPkrLIU ) com o apoio da Secretaria de Cultura do município (Secult – https://www.facebook.com/SecultPel ) e da Bibliotheca Pública Pelotense (https://www.facebook.com/pages/Bibliotheca-P%C3%BAblica-Pelotense/415932985175775?fref=ts ). Diferentemente de edições passadas, este ano foi toda realizada no mês de novembro (1º a 20). Em 2016, a Feira inovou mais uma vez ao apresentar um patrono personagem: Blau Nunes, narrador da segunda obra de João Simões Lopes Neto, em Contos Gauchescos. Esta é uma homenagem à marca de um século da morte do escritor pelotense , dentro do biênio (2015/2016) simoneano.

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Fotos: César Soares

A equipe do blog Mulheres Empreendedoras do Sul agradece a Théia Bender pela disponibilidade de, em uma época de intensas atividades, disponibilizar em sua agenda um momento para nos contar um pouco sobre sua história. Seu trabalho na Feira certamente contribui para a visibilidade da mulher ocupando posições de destaque no mercado de trabalho e na sociedade.

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1 ano do Blog

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Hoje é um dia muito especial, o Blog Mulheres Empreendedoras do Sul completa 1 ano.

Um ano de muito estudo, muita pesquisa, muita força de vontade e principalmente de união.

Nesse ano, conquistamos lugares e espaços que não imaginávamos chegar, conhecemos mulheres maravilhosas que nos mostraram o poder da união feminina e colocamos em prática os nossos sonhos mais distantes.

Obrigada em especial a Coach Renata Werner que fez um trabalho de mentoria maravilhoso no nosso projeto. Além de estar sempre pronta para nos incentivar e nos mostrar o caminho do sucesso!! Um mega obrigada RW!!

Obrigada a todas que construíram conosco essa linda jornada!!!

Estamos pronta para mais um ano!! Cheias de energia e ideias novas!!! Vem muito mais por aí!!

Vamos juntas!! Vem com a gente crescer e ser feliz!!!

Sororidade em busca da saúde e do bem-estar: o Instituto Buquê de Amor

Sabe aquela história inspiradora?

Sabe aquela história que te faz acreditar que um mundo melhor é possível?

Sabe aquela história que te mobiliza e te deixa com vontade de também fazer algo para melhorar o mundo?

Eu conheci uma história dessas e quero te contar!

O Instituto Buquê de Amor

O Instituto de Promoção à Saúde da Mulher Buquê de Amor é uma ONG que tem por objetivo promover a prevenção ao câncer de mama, além de ajudar mulheres já diagnosticadas a enfrentar esse difícil momento da vida. O trabalho do Instituto teve início através das ações de Janice Santos, agente municipal de saúde e coordenadora do projeto, que, há pouco mais de três anos, teve a ideia de oferecer flores às mulheres durante as sessões de quimioterapia, proporcionando-lhes momentos de alegria. Para isso, recolhia flores e arranjos em festas, contando inicialmente com a ajuda de seu marido.

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Janice entregando flores a pacientes no hospital.

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Com o passar do tempo, Janice foi percebendo que poderia ampliar seu campo de atuação, pois era necessário ajudar ainda mais essas mulheres. Assim, passou a desenvolver outras atividades na busca da saúde o do bem-estar das pacientes. Com o passar do tempo, também foi necessário transformar o projeto em uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos. Sua ideia naquele momento era passar a obter apoio de empresas e órgãos públicos.

Como funciona?

Atualmente, Janice conta com uma equipe de 20 voluntárias – algumas que tiveram câncer e outras que simplesmente se sensibilizaram pela causa e resolveram participar – que trabalham em diversas frentes. A massoterapeuta Rosângela Ramos, por exemplo, é amiga de Janice e há dois anos viveu a angústia de acompanhar sua filha em uma bateria de exames, pois havia suspeita de câncer. “Felizmente, a suspeita não se confirmou, mas a situação me fez perceber a necessidade de ajudar essas mulheres”. Rosângela é uma das voluntárias que está à disposição para receber doações na Loja Vazia de Lenços e Perucas, que estará funcionando no Shopping Pelotas até 30 de outubro. Lá também estão à venda camisetas e outros produtos que ajudam a custear as ações.

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Na Loja Vazia de Lenços e perucas também estão `à venda outros produtos cujo valor reverte para os trabalhos do Instituto.

O Instituto também busca conscientizar as mulheres sobre a necessidade de realizar mensalmente o autoexame e, periodicamente, a mamografia. Para dar mais visibilidade à luta contra o câncer de mama, vem desenvolvendo uma série de ações. Dentre ela está o Calendário das Guerreiras, no qual 12 mulheres que lutaram ou estão lutando contra o câncer atuaram como modelos. Planeja-se também para o próximo domingo, dia 23, às 10h na Praia do Laranjal, o evento II Roseando Vitória Pelotas

Leia mais sobre o Calendário das Geurreiras 2017 em  Continuar lendo

Novo cenário político pelotense: a hora e a vez das mulheres

Considerada por muitos como uma cidade de pensamento conservador, Pelotas vive um novo e importante cenário político, fortemente marcado pela presença feminina. Com um total de cinco mulheres – a prefeita eleita em primeiro turno e mais quatro vereadoras –, é a primeira vez que se atinge esse patamar de representatividade. De diferentes partidos e posições ideológicas, elas concordam sobre a importância e a necessidade de promover a visibilidade e a equidade femininas.

O blog Mulheres Empreendedoras do Sul conversou com essas mulheres e apresenta aqui um breve perfil delas que, esperamos, irão mudar o modo de fazer política na cidade. Conheça, então, um pouco mais sobre as eleitas:

PAULA MARCARENHAS: uma votação histórica

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Em seu gabinete, Paula conversa com a equipe do blog Mulheres Empreendedoras do Sul

(Foto: Eduardo Kickhöfel)

A prefeita eleita Paula Mascarenhas (PSDB) conseguiu um feito inédito: foi eleita com 59,8% dos votos válidos. Ela considera que a expressiva votação obtida é o reconhecimento do projeto de governo implantado pelo Prefeito Eduardo Leite, que, por sua vez, trouxe-a a uma posição de protagonismo desde os primeiros dias do atual mandato. “Esse é um projeto encabeçado por um jovem e uma mulher. Como mulher, agora prefeita eleita, quero enfatizar a importância da renovação política na cidade. Pelotas mostrou que a força representativa está na renovação”.

Doutora em Letras e professora da Universidade Federal de Pelotas, Paula afirma que o empreendedorismo feminino faz parte de seu plano de governo. Ela salienta que muitas mulheres já são acompanhadas através de políticas sociais como o projeto Minha Casa, Minha Vida e o atendimento nos CRAS. Através de uma política de microcrédito construída com base em juros muito baixos, o objetivo é fortalecer e empoderar mulheres chefes de família, incentivando-as à formalização de suas atividades.

Leia o plano de governo de Paula Mascarenhas em Continuar lendo

Empoderamento feminino e profissão: conheça o Projeto Subjetivas

Nos últimos tempos, muito se tem falado em EMPODERAMENTO FEMININO. De acordo com a ONU, a ideia é a de que promover a igualdade de gênero em atividades sociais e profissionais contribui para a evolução da sociedade em diversos aspectos (para melhor compreensão do tema, leia o artigo disponível em http://www.onumulheres.org.br/referencias/principios-de-empoderamento-das-mulheres/).

O empreendedorismo feminino, segundo a ONU, é um dos mais importantes instrumentos para o EMPODERAMENTO, pois as mulheres, apesar de serem parte importante do mercado de trabalho, ainda ocupam poucos cargos de direção e comando, e ainda sofrem discriminação social e financeira. O debate atual em torno do assunto tem levado muitas mulheres a se organizar e promover ações conjuntas visando ao seu fortalecimento nos ambientes profissionais.

Um ótimo exemplo disso é o Projeto Subjetivas, idealizado por estudantes do curso de Cinema da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A proposta foi lançada em julho durante a Mostra Mulheres do Audiovisual Brasileiro, que reuniu e apresentou trabalhos de mulheres profissionais das áreas técnica e artística do audiovisual de todo o país, Naquela ocasião, o Projeto Subjetiva foi lançado. O propósito é, através de financiamento coletivo obtido via crowfunding (leia mais sobre o assunto em http://www.sobreadministracao.com/crowdfunding-o-que-e-e-como-funciona/), criar uma plataforma para proporcionar troca de experiências e dar visibilidade ao trabalho de mulheres do audiovisual. O projeto prima pela diversidade regional, étnica, de faixa etária e de pensamento, chamando atenção para todas as profissionais envolvidas.

Uma das etapas do projeto está acontecendo na Galeria do Centro de Artes da UFPel  (Rua Alberto Rosa, 62, Porto, Pelotas). Trata-se da exposição de desenhos da artista plástica Viviane Herzog, que farão parte das recompensas disponíveis para os apoiadores no site catarse.me.

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Reunião da equipe do Projeto Subjetivas

“Este é um projeto predominantemente feminino, com uma proposta horizontal de produção, na qual todas as pessoas são responsáveis pelo todo. Queremos contribuir para o combate do histórico de opressão no set de filmagem”,

afirma Adriana Yamamoto, uma das idealizadoras do projeto, que existe devido à parceria entre três produtoras: MAGA Criação de Imagens, Chuva Filmes e Ritmia Estúdio.

Com uma abordagem essencialmente social, o projeto, e posteriormente a plataforma, contribuem para o EMPODERAMENTO FEMININO dentro do cenário profissional. Que ele sirva de exemplo a outras boas iniciativas!

Para participar do projeto como apoiador, visite o site https://www.catarse.me/projetosubjetivas

Para saber mais sobre empreendedorismo social e conhecer outras mulheres inspiradoras, leia:

O que podemos aprender com o empreendedorismo social?

Marta Neves: mudando vidas através do empreendedorismo social

Marta Neves: mudando vidas através do empreendedorismo social

Somos levadas a pensar que quando estamos falando de empreendedorismo estamos necessariamente falando de abertura e gerenciamento de negócios. O senso comum, e até mesmo alguns teóricos, estreitam muito essa relação como se fosse um sinônimo irrefutável. Porém o empreendedorismo é algo que vai muito além dessa esfera.

A abordagem comportamental da teoria empreendedora defende que o empreendedorismo é, primeiramente, uma atitude. Está ligado à ideia de identificar uma oportunidade e construir os meios para concretizar objetivos a partir disso. Sendo assim, podemos pensar em diversos tipos de empreendedores para além do âmbito empresarial.

Uma dessas possibilidades é o empreendedorismo social. A ação de articular ideias, recursos, pessoas e materiais em torno de um só propósito, que seja voltado à solução de problemas sociais, já é uma realidade para muitos empreendedores no nosso país, e da mesma forma no resto do mundo, ainda que isso não implique na abertura de uma empresa.

Ousaria dizer que ser empreender no campo do social é um desafio maior ainda do que no ramo empresarial, uma vez que o retorno não será em moeda corrente. Se, vendo a conta bancária elevar os dígitos no final do mês, nem sempre um empreendedor empresarial consegue manter a motivação e o comprometimento constantes, para o empreendedor social o desafio se torna maior ainda. Muitas vezes a recompensa vem em forma de um sorriso, de um agradecimento – e muitas vezes a atividade implica em custear ações com seus próprios recursos.

O que pode parecer um desafio intransponível, para o empreendedor social, aquele que se compromete em buscar soluções por meio de ações para contribuir com mudanças positivas no meio em que está inserido, muitas vezes é apenas mais um obstáculo. Unindo persistência, comprometimento e busca de oportunidade e iniciativa, algumas das características do comportamento empreendedor, empreendimentos sociais ganham espaço e são construídos a partir de pessoas que combinam trabalho duro, foco e sonhos grandes.

Renovação de esperança e grande exemplo

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Como exemplo de empreendedora social, o blog Mulheres Empreendedoras do Sul traz a história da Marta Neves, definitivamente uma mulher que inspira.

A Marta é a responsável pelo Grupo de Dança Renovação, um projeto social voltado para crianças de bairros em situação de vulnerabilidade social em Pelotas, envolvendo 35 bailarinos de distintas faixas etárias. Mãe de três filhos, estudante de Licenciatura em Dança na UFPel e mais do que uma empreendedora social, a Marta é um exemplo de que é possível fazer a diferença com suas ações e impactar positivamente a vida de muitas pessoas.

Conta pra gente um pouco da tua trajetória e de como começou o grupo…

 O grupo começou em 28/08/2002, por um convite do Grêmio Estudantil da Escola Francisco Caruccio. Os alunos foram até a minha casa fazer o convite. Já fazia muito tempo que eu não dançava. Dancei na época em que estudava na escola; a dança era uma atividade extraclasse que acontecia no turno da tarde. Como minha mãe faleceu quando eu tinha 4 anos, meus avós sempre me estimulavam a alguma atividade extra. Eu sempre gostei de dança, e por na minha época ter estado muito envolvida com isso, os alunos me convidaram pra montar uma atividade extraclasse na escola. Eu não trabalhava na escola, eu trabalhava em casa de família na época. Eu já tinha a minha família, minha filha mais velha tinha 5 anos. Meu marido ficou meio na dúvida, mas resolvi aceitar o convite porque foi uma forma de valorizar o que eu já fazia antes, daí voltei e abracei a causa. No começo eram só 9  meninas. Depois de 4 meses já eram mais de 50 crianças dançando, foi muito rápido. Nos dois primeiros anos o projeto esteve voltado somente para quem estudava na escola. Posteriormente conversamos com a direção da escola pedindo para abrir para a comunidade, não importando em qual escola a criança estudasse para fazer parte do grupo. No começo eram meninas entre 12 e 14 anos, mas depois começou a entrar crianças. Dividia eles em grupos: principal, segundo grupo e oficina de dança.”

Foi preciso deixar o teu trabalho para assumir o projeto?

Não, porque o grupo só funcionava no final de semana. Quando eu tinha alguma apresentação durante a semana, a família da casa em que eu trabalhava me liberava para participar. Na primeira apresentação do grupo não pude estar presente porque era durante meu horário de serviço, mas depois meus patrões começaram a valorizar e apoiar o projeto. Os patrões do meu marido, que trabalha na Biri Refrigerantes, são apoiadores do grupo. Hoje os ensaios do grupo são no SEST SENAT, não mais na escola. Após algumas trocas da equipe diretiva, a escola entendeu que não seria possível ter continuidade ao trabalho de forma voluntária. O SEST abriu suas portas e foi um presente para o grupo, que estava precisando de um novo local para ensaio. A estrutura é ótima, os alunos tem liberdade para ensaiar.”

Como foi a tarefa de chegar até as empresas que se tornaram apoiadoras do projeto?

Mandamos um convite a eles para que viessem conhecer o trabalho do grupo, que era um trabalho voluntário. Na época eles foram até a escola e conheceram o trabalho, decidindo apoiar. A empresa de ônibus Conquistadora é outra empresa apoiadora, libera o transporte para os membros do grupo durante o final de semana para ir pro ensaio, e o pessoal adora ir pro SEST. A Gelei também é outra empresa da zona norte que apoia o projeto. A Mercado Skate Shop recentemente nos deu dois pares de tênis também, e faremos uma rifa para levantar recursos para as despesas do grupo.

Como o grupo está funcionando hoje?

“Os ensaios ocorrem aos finais de semana, nos sábados, das 14h às 18h. Os bailarinos não pagam nenhum tipo de taxa, muitas vezes custeio despesas com meus próprios recursos. Temos o grupo principal, que é o pessoal que já está dançando, e o pessoal da oficina de dança, que ainda está aprendendo a dançar. Todos da oficina têm o objetivo de chegar ao grupo principal. É o grupo que viaja, vai ao Rio de Janeiro (pela terceira vez foram mostrar o trabalho no Morro do Alemão). Todos os anos ocorre o evento ‘Circulando no Morro do Alemão’, em que a comunidade é aberta e recebe pessoas de todo o mundo. É um evento de cultura em geral, aborda música, dança, teatro, cinema. O BenHur, da ONG Anjos e Querubins, que trabalha com percussão, convidou o grupo pra ir participando do evento com dança. O grupo é um presente pra mim. Só em ver nossa realidade no Pestano, o que eles são e o que se tornaram hoje… Alguns se perderam, infelizmente, mas são poucos. O William é um dos integrantes mais antigos, entrou com 8 anos. Alguns mesmo trabalhando e já sendo casados retornam novamente, por isso o grupo não tem mais faixa etária. Para participar do grupo, o jovem precisa estar na escola, ter notas boas, ter comportamento adequado dentro do bairro. Usar a camiseta do grupo é algo a ser honrado: não pode usar drogas, se envolver com coisas erradas. Eles veem o grupo como uma família que os adota, o grupo acaba assumindo esse papel na vida deles. No inicio de cada ano se divulga via Facebook uma chamada para novos membros, e anualmente é feito um espetáculo com figurino, coreografias novas. Todos os grupos dançam. O público alvo do nosso espetáculo é o adolescente, pois queremos mostrar pra ele que ele não precisa estar na esquina, fazer coisas erradas. Ele pode sair da esquina, fazer faculdade, fazer coisas diferentes. A gente tenta mostrar que existe um outro lado, que eles podem fazer a diferença, mas nem sempre é fácil. Muitos deles têm vontade de ser policiais no futuro, uma forma de sede de justiça. Nas próprias regiões em que os bailarinos moram, o pessoal que é envolvido o tráfico me avisa se os alunos estão usando drogas.

As famílias dos bailarinos participam das atividades?

“São poucos os que participam, sendo sincera. Nem mesmo nas apresentações alguns não comparecem, da mesma forma como é na escola. É triste ver que eles não são valorizados pelas famílias, mas faz parte. Eu cobro bastante deles, em alguns casos mais do que as mães. Quando chego do trabalho, se passo por algum deles nas esquinas no bairro, eu falo: “não é hora de estar na esquina, vai pra casa”. Alguns são responsáveis, fazem questão de cumprir horários, ter disciplina com as roupas, mas outros nem tanto. Dá pra contar nos dedos as mães que participam e tiram um tempinho para estar sempre nas apresentações. De 35 mães, eu diria que umas 6 acompanham. O grupo tem uma atividade chamada ‘papo cabeça’, que é uma roda de conversa que acontece em todos os ensaios. É um momento importante porque eles são ouvidos, compartilham suas vivências. Antes das viagens os pais são chamados para participar.”

Como tu integras o papel de mãe com as atividades do grupo?

“Meus filhos vão comigo nas viagens, estão sempre participando. Meu marido adotou o grupo de dança também. No começo ele foi meio resistente, nos primeiros meses, porque eu já tinha uma filha, mas depois abraçou o projeto. Pra mim é muito gratificante, pois a dança proporciona muita coisa. Trabalhamos com eles as cinco regrinhas: respeito, amizade, união, responsabilidade e disciplina. Sempre cobramos isso deles, porque a dança mostra isso pra gente. O grupo tem 13 anos, nunca interrompeu suas atividades. Só dei uma pausa de alguns meses quando nasceram meus filhos gêmeos (inclusive desfilei grávida puxando a comissão de frente), mas retomei em seguida. Quando eles tinham um ano e três meses, estavam junto comigo representando Pelotas no Rio de Janeiro.”

Se pudesses propor alguma mudança que envolvesse política, qual achas que seria o caminho?

 “Acho que mais educação e mais policiamento capacitado para entrar nos bairros. A educação, quando é de qualidade, muda a vida das pessoas. As pessoas hoje cuidam mais de si e não querem saber do próximo. Eu acho que se todo mundo olhar um pouquinho mais pro todo, as mudanças vão acontecer.”

Como tu fazes pra gerenciar essa carga emocional de te envolver com tantas histórias e dificuldades dos integrantes?

“É impossível não se envolver, não pegar o lado emocional. Se eu dissesse que não me envolvo, estaria mentindo. Eu me envolvo, eu choro muito, é difícil, complicado… mas as vezes sou bem dura com eles. Eu não posso aplaudir todos os erros deles, senão eles continuarão errando. Quando eles não apresentam comportamento adequado, podem até ser cortado das viagens. Eles precisam ser exemplo para os outros jovens.”

 Tem alguma história em especial de algum integrante que te marcou?

 “São tantas… tem uma menina em especial que sempre me lembro, vem de uma família com pessoas de alta periculosidade aos olhos da polícia. Ver ela se transformar no palco, mostrar pras pessoas que ela pode ser diferente, é muito motivador. Hoje ela venceu, ela tem seu trabalho, sua casa, sua moto… é um exemplo. Ela sempre me diz que deve muito ao grupo de dança, mas eu digo que o grupo é que deve a ela pelo exemplo que ela dá. Quando algum deles me diz “comprei um carro”, “comprei minha casa”, quando vejo que eles venceram, é muito importante.”

 

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Conversamos também com alguns bailarinos do grupo para saber o que o projeto representa na vida deles! Confira:

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A Marta pergunta pelas nossas notas, temos que ir bem no colégio. Ir pro grupo é bom porque tiramos as coisas ruins da nossa cabeça, a gente vai pra outro mundo. Ela ajuda as crianças a sair do caminho mau e ir pro caminho bom, isso é importante. O grupo muda a vida das pessoas.” (Nicole, 9 anos)

Participei do grupo durante dois anos, depois tive que sair por causa do trabalho. Eu moro perto da Marta, ouvi falar do grupo e entrei. O grupo foi muito bom pra mim, fizemos viagens, a Marta sempre estava nos incentivando. O grupo ajudou bastante na minha formação. Eu era muito envergonhada e o grupo contribuiu nisso, e me ajudou bastante também pra procurar trabalho, fazer entrevista de emprego.” (Bruna, 19 anos)

A gente divide a mãe com o grupo. O trabalho dela é muito bom. O mais legal é ajudar as pessoas e dançar. A gente doa roupas, alimentos, faz o sacolão da amizade. Tem festa do dia das crianças, festa de Natal, amigo secreto, o aniversário do grupo. Eu participo desde a barriga da mãe. Eu fui pro Rio de Janeiro com o grupo, e aprendi que lá também tem o lado bom, não é só o lado ruim.”(Miguel, 7 anos – filho da Marta)

O grupo faz dança e arte, isso é bom. Eu acho que tem muita gente que vai no grupo porque é tipo uma família.” (Brendon, 7 anos – filho da Marta)

Eu acabei crescendo no Renovação. Estive em todos os momentos: dancei no primeiro grupo de pequenas, fiquei ajudando depois, tive colegas que viraram irmãs…o Renovação é a minha família. Lá em casa todo mundo se entrega de verdade quando o assunto é o Renovação. O pai apoia tudo, tem uns bailarinos que o pai adotou como filhos. Esse ano ele até viajou com a gente. Pra quem sabe aproveitar, o grupo muda a vida completamente. O grupo precisa ter união pra seguir em frente, pra ser uma família precisa de união.” (Francine, 19 anos – filha da Marta)

 

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A história da Marta é uma grande inspiração. Ver de perto o trabalho dela com o grupo nos dá razões pra acreditar em um futuro melhor. A doação que ela dedica pra essa causa é exemplar e muda, de fato, a vida de todos que por ali passam.

E você, já pensou em se dedicar a alguma causa sendo uma empreendedora social ou já atua na área? Os próximos dias serão dedicados a falar sobre esse tema! Acompanhe nosso conteúdo aqui no blog, no nosso perfil no Instagram, na nossa página no Facebook e no nosso grupo fechado também no Facebook .

O que é sucesso pra você?

Desde muito cedo, eu já pensava que queria ser uma pessoa de sucesso: trabalhar em um bom emprego, ganhar muito dinheiro, construir uma família. O tempo passou, eu cresci e continuo pensando sobre o sucesso. Mas o que é mesmo o sucesso? É um conceito subjetivo, com muitas variáveis, e que depende do tempo em que estamos vivendo, principalmente de como vemos a vida e quais são os nosso objetivos para o futuro.

Quando eu era criança, a minha noção de sucesso era muito baseada no que os meus pais acreditavam e, consequentemente, o que a geração deles pensava. Nos anos 80, sucesso era trabalhar em um banco, fazer hora extra, ter casa própria e um bom carro. Porém,ao longo dos anos, essa ideia foi se transformando. Hoje vejo a minha filha dizer que sucesso é trabalhar em um lugar que te faça feliz, que te dê tempo para desfrutar as coisas boas da vida e que dinheiro é uma consequência. É uma grande diferença em apenas uma geração, não é?

O conceito de sucesso para mim passa também pelo fato de ter nascido no interior. Lá na minha infância, esse fator era crucial para delimitar o meu caminho, pois era muito difícil para alguém como eu virar artista de TV ou uma milionária. O caminho a ser percorrido era imenso, quase impossível, era o que todos à minha volta me faziam pensar e era o que quase todos que pertenciam aquela geração pensavam.

Agora, o meu pensamento a respeito do sucesso mudou. Depois de um longo período em busca do autoconhecimento e de finalmente reconhecer meu verdadeiro potencial, eu pude escolher pensar mais próximo ao que minha filha acredita ser sucesso do que ao que os meu pais acreditavam ser sucesso. Graças à Internet e ao empoderamento feminino, percebi que poderia ser muito mais e ir muito além.

Fui, então, em busca de uma história, de alguém que, assim como eu tenha, nascido no interior, seja mulher e tenha conseguido romper todos estes paradigmas impostos pelas gerações passadas. Esta mulher é

Cristiane Silva

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Encontrei a inspiradora história de vida da apresentadora, cantora e atriz Cristiane Silva. Nascida em Pelotas, morava no bairro Areal e, assim como eu, adorava brincar na rua rodeada pelos amigos. Estudou em um grande colégio particular da cidade e praticava muitos esportes, como voleibol. Formada em jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), começou sua trajetória na Rádio Atlântida em Rio Grande e  passou a apresentar e ser repórter da RBS TV na mesma cidade. Depois de 2 anos, foi apresentar as manchetes e a previsão do tempo na TVCOM, na capital do estado.

A saída do interior para Porto Alegre foi um momento difícil na vida da Cris. Na cidade grande, a vida é mais corrida e não tem a proximidade entre as pessoas como acontece no interior.

“A parte mais difícil de sair do interior foi encontrar tempo para fazer amigos e ter momentos de lazer”. Cris Silva

Como sempre foi uma pessoa muito agitada e que não é adepta de rotina, Cris foi vencendo os desafios e construindo seu futuro em Porto Alegre.

Passou pelo RBS Esportes, pela previsão do tempo, pelo jornal Bom Dia Rio Grande e, por último, atuava na Radio Farroupilha e no Programa Mistura com Rodaika. Foram 10 anos de trabalho trilhados em uma caminho cheio de desafios e de sucesso.

Mas o sucesso é algo tão relativo e plural que a menina do interior, que para todos os seus conterrâneos já havia ido muito longe e conquistado o ápice do sucesso, queria mais e resolveu ousar. Quando todos pensavam, e talvez ela mesma, que a Cris tinha conseguido tudo o que queria, que estava no auge de sua carreira, ela reavaliou sua vida e redimensionou o significado do sucesso.

Cristiane Silva, que desde pequena fazia teatro e cantava, retomou seu sonho e foi percorrer o estado em um Stand Up Music, juntamente com seu marido, o músico Paulo Inchauspe.

Quando começou a fazer a peça teatral, Cris teve que escolher entre continuar como apresentadora do Jornal Bom Dia Rio Grande ou começar uma nova jornada. Ela abriu mão do emprego dos sonhos de praticamente todos os alunos de jornalismo da UCPel e foi fazer música e comédia nos teatros gaúchos. Uma difícil decisão!

Cris, hoje, não trabalha mais na RBS TV e está cheia de planos e expectativas. Continua como radialista da Rádio Farroupilha, pois lá encontra maior liberdade. Vai transformar a peça em um canal no Youtube, também pretende investir na carreira de atriz de cinema e televisão.

A história da Cris nos mostra que aquilo que nós consideramos sucesso nem sempre é o que os outros acreditam ser. Para ter sucesso de verdade, precisamos antes de mais nada conhecer a nós mesmos, saber o que realmente nos faz feliz e principalmente não ter medo de mudar.

Não podemos permitir que os outros nos delimitem o horizonte, cabe a nós a decisão de seguir ou de parar, independente de nascer mulher ou ser do interior,  ou qualquer outro fator que possa ser um limitador.

O nosso blog tem a intenção de te fazer pensar em tudo aquilo que te prende e faz com que você deixe de alcançar todo seu potencial. Queremos que você, assim como nós, liberte-se das amarras que os pais, o marido, os filhos, a sociedade lhe impõem e vá descobrir o que te faz realmente feliz.

É muito difícil definir sucesso, mas é necessário que, em algum momento das nossas vidas, pensemos onde queremos chegar. Qual o caminho que queremos trilhar e, a partir daí, fazer nossas escolhas.

Não muito raro, encontramos pessoas que não tem a mínima ideia de como chegaram às suas profissões e trabalhos, deixaram-se levar pelo vento, mas fazer isso é muito arriscado. Nem sempre o vento irá nos levar na direção certa. As rédeas das nossa vidas devem estar nas nossa mãos e, para isso, quanto mais cedo definirmos os nossos conceitos básicos, mais fácil será  alcançar todo o nosso potencial.

Para pensar…Sucesso é…

“Rir muito e com frequência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso.” Ralph Waldo Emerson

Então, o que é sucesso para você?

Deixe nos comentários a sua opinião. Vamos, juntas, construir o nosso sucesso!!!

Ficou com gostinho de quero mais? Se você quer receber a entrevista completa da Cris Silva e saber o que é sucesso pra ela, deixe seu Nome e Email aqui embaixo, te enviaremos o áudio completo.